Expomusic Perdeu a graça?

September 26, 2016

 

 

Em uma roda qualquer de amigos músicos eu pergunto: - Vamos na Expomusic? De forma súbita alguém representando o grupo indaga: - Fazer o que lá?

 

Pode parecer uma pergunta um pouco sem sentido, talvez até meio sem noção, porém, o mais impressionante é perceber que a resposta só parece óbvia, mas não é.

Afinal de contas: o que fazer na Expomusic?

 

Ver novidades, comprar instrumentos ou acessórios, ver shows, encontrar amigos?

 

Qualquer uma dessas respostas seriam totalmente plausíveis, o problema é: nós ja sabemos o rumo que essa conversa ira tomar: - Você não precisa ir na Expomusic para fazer nada disso!

 

Ver novidade?

 

As empresas internacionais não tem interesse (ou não conseguem) trazer produtos inovadores, quando trazem, ficam a 3 metros de altura apenas em exposição, você não pode ver, você não pode toca-lo, você não pode compra-lo. Muitas vezes o seu preço exorbitante (pra não dizer potencialmente inviável) nem é divulgado. Esse tipo de produto só está la para "esfregar" na cara da maioria dos músicos brasileiros: - Você praticamente nunca vai poder me comprar e se por alguma "sorte" do destino você puder, você não terá um porque. 

 

Por outro lado as marcas nacionais mal conseguem sobreviver, se investirem em tecnologia e instrumentos de alta performance a carga tributária do país (impostos) eleva o preço final, chegando aos preços praticados pelas grandes butiques internacionais, juntando isso com a "pré-disposição" do brasileiro em valorizar o estrangeiro e depreciar o nativo, acaba sendo não lucrativo fabricar produtos desse tipo. Quem vai querer a qualidade de um Amplificador T.Miranda se com o mesmo valor eu posso ter a qualidade e a grife de um Marshall? 

O jeito é fabricar produtos que unem um monte de parafernalhas poucas vezes úteis e de qualidade duvidosa, visando vender para a gurizada que muito sabe sobre Steve Vai e pouco sobre música.

 

Comprar instrumentos ou acessórios?

 

-Ah claro! por ser uma feira voltada para os músicos e profissionais da área é certo que as empresas irão fazer promoções, então podemos encontrar ótimas oportunidades.

 

ERRADO!

 

Por incrível que pareça a última coisa que você irá encontrar na Expomusic é um bom negócio (a menos que você seja comerciante).

 

As grandes marcas na sua grande maioria não abrem para compras em varejo, apenas atacado (ou seja, lojistas!), as pequenas por sua vez ficam exprimidas e ofuscadas em seus pequenos boxes nos cantos da feira, em estandes pequenos com poucos recursos e produtos mal expostos. Muitas vezes não da para entender do que se trata a empresa.

 

Mas vamos lá! Vamos ter um pouquinho de otimismo e com sorte a gente encontra algum instrumento bom para comprar por um bom preço. Categoricamente eu digo: É IMPOSSÍVEL TESTAR A QUALIDADE DE QUALQUER TIPO DE INSTRUMENTO NA FEIRA! 

Praticamente em todo estande de marca grande tem música ao vivo rolando, em um volume necessário para cobrir o som (ja barulhento) de uma multidão reunida, como se isso não fosse o suficiente, algumas marcas colocando mais de um "palco" no mesmo estande (na Yamaha por exemplo tinham 4 palcos tocando simultaneamente). O Resultado disto é: MUITO BARULHO! Basta alguns minutos dentro da feira para que seu sentido auditivo ja esteja consideravelmente desorientado, depois de uma hora dentro da feira era fácil confundir o som de um mero amplificador de 10 wats com um cabeçote valvulado de 150 wats.

 

Ver Shows? 

 

Tá bom vai, ver os shows do Aron Spears, Templo Soul e outros muitos artistas pulverizado pelos estandes é sempre interessante, sem contar os diversos workshops e palestras que são realizados durante os dias de feira (pouco divulgado, mas não vamos achar defeito em tudo, né?). É sempre bom encontrar conteúdos relevantes no mesmo local. A única coisa que realmente não dá pra deixar passar despercebido é: CONCURSO DE BANDAS INDEPENDENTES QUE SÃO ELEITAS ATRAVÉS DE VOTOS NA INTERNET? NÃO FODE! Ainda mais em dia da feira fechada para profissionais.

 

Ver banda de colégio fazendo o maior barulho nos estandes realmente é duro. Mas enfim, não vamos julgar sem ver, vai que surge algo que preste, né?

 

Encontrar amigos?

 

Juntando todos esses aspectos, cada ano que passa os músicos ficam menos interessados realmente no conteúdo da feira e vão mais pelo hábito, talvez porque seja uma das poucas coisas organizadas que restam no cenário musical brasileiro. Seria a hora de inovar? Fazer um feira totalmente diferente? mais palcos? foco nos centros de convenções? mais parcerias entre os fabricando para gerar os conteúdos?

Não sei...

 

O que podemos afirmar é: A Expomusic é um retrato do circuito musical brasileiro. Um navio de primeira classe naufragando aos poucos, com os marinheiros olhando, olhando e olhando...

 

 

Cobertura do site discoteca na expomusic 2016 clique aqui

 

 

 

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