Por que ouvir rock?

September 6, 2017

Por que ouvir rock?

 

Tomo a precaução de iniciar este texto já deixando claro que não é necessário deixar de ouvir qualquer estilo musical para que se ouça rock, pois ao dizer “ouça rock”, infelizmente, alguns parecem entender (ou querem entender) “não ouça sertanejo” ou “não ouça pagode”. Estes dois gêneros foram empregados de forma meramente ilustrativa, visto que eu poderia dar como exemplos o axé, o forró, o samba de raiz, etc. Tampouco é minha intenção diminuir a relevância de outros estilos. Apenas quero exaltar o rock e suas qualidades (sim, elas existem, ao contrário do que dizem alguns jazzistas e mpbistas mais puristas).

 

Isto posto, a primeira pergunta pertinente é: por que ouvir rock? Bem, obviamente cada um faz o que lhe dá na telha, portanto, qualquer um pode responder que ouve rock porque quer. E com muita razão. Porém, há mais bons motivos para se ouvir rock? Sim! Primeiramente pela inegável energia das canções. Dificilmente alguém não se sentirá mais animado, mais energizado, quiçá mais contente ao ouvir “Tumbling Dice” dos Rolling Stones ou “Tutti Frutti” do Little Richard, ou ainda de “Breakout” do Foo Fighters. Algum mpbista purista mais pedante viria com esta: “ah, mas as harmonias do rock são pobres!”. Eu mes125mo ouvi isso mais de uma vez, e de gente que não conhecia nem mpb nem rock muito bem. Curioso, não? Voltando à questão. Caso você se depare com essa situação da “pobreza harmônica” do rock, apresente o magnífico álbum Pet Sounds dos Beach Boys ou o icônico Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles. Ou a maioria dos discos do Queen, Yes, Genesis ou até Gentle Giant, com suas composições impressionantes. Se depois de ouvir essas obras o sujeito continuar a dizer que o rock é pobre, bem, aí é caso de comprometimento estético-ideológico, não querer dar o braço a torcer, ou só um problema de audição mesmo.

 

Há quem diga que o rock é violento. Não acredito nisso. O que há, de fato, são indivíduos no público ouvinte que têm comportamento violento, porque eles são violentos, não a música. E a violência se verifica também no público de outros gêneros.

 

Além disso tudo, temos o rock bem-humorado de bandas como Kiss, Van Halen (rir quase sempre vai bem, não é verdade?), e no Brasil muitíssimo bem representado pelos Mutantes (que vão muito além do humor), Joelho de Porco, Ultraje a Rigor, Velhas Virgens e por aí vai. Se você quer entrar numa onda de profundidade, temos o Pink Floyd, ou diversas canções do Legião Urbana, para citar apenas dois exemplos. Quer algo questionador? Frank Zappa e nosso maior artista solo do rock, Raul Seixas. Ou seja, para muitas das variáveis da existência humana, há alguma vertente do rock ou alguma banda ou artista solo do rock que trará uma representação ou interpretação. O rock vai amparar você.

 

Há mais bons motivos para se ouvir rock, com certeza. Por ora, espero que os que estão acima bastem para corroborar o ponto. O rock é inspirador, energizante, apoteótico, às vezes caótico. Uma manifestação representativa da vida como ela é. A beleza está nos olhos de quem vê, diz o ditado. E nos ouvidos de quem ouve. E há muito a se ouvir no rock.

 

Please reload

Posts Recentes
Please reload